Apresentação oficial da obra Fagaria Fouces na Figueira da Foz

 




No passado dia 16 de maio, tive a honra de apresentar oficialmente o meu romance Fagaria Fouces na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Num ambiente intimista, rodeado de leitores reais e amigos, partilhei os bastidores da criação desta obra que, na verdade, nasceu de uma inquietação.

Inicialmente, a história de Fagar estava planeada para ser apenas um pequeno apêndice ou capítulo final do meu livro anterior, Rota do Passado (obra que muito me orgulha e que foi nomeada para o prestigiado Prémio Adamastor de Ficção Fantástica. Contudo, a força dos mitos da minha terra natal falou mais alto. Percebi que a mítica lenda fundacional da Figueira da Foz merecia a dignidade de um livro próprio.

Ao pesquisar as origens do nome Fagaria Fosses, deparei-me com registos breves e incompletos. Senti a obrigação de preencher essa lacuna. Decidi cruzar a ocupação romana na Península Ibérica, a presença no Rio Munda (Mondego) e a riqueza do folclore ibérico para erguer um thriller de fantasia realista e cru. Em vez de recorrer à mitologia anglo-saxónica que o mercado satura, resgatei as nossas próprias criaturas: os Trasgos do Cabo Mondego (os pequenos mestres da forja) e os Vaurgos (os gigantes incapazes de mentir, inspirados na população histórica da Esgueira que povoou o sul do Mondego).

Fagaria Fouces é um romance rápido e incisivo sobre a identidade, o conflito com o Império Romano, e uma história de amor impossível em tempos de guerra que acaba por dar origem à árvore icónica junto ao rio que batiza a nossa cidade.

O caminho de um escritor independente em Portugal é uma maratona solitária e, por vezes, marcada pela apatia das estruturas políticas locais. Como bem realçou o meu colega e amigo Rogério na abertura da sessão, os convites foram enviados a todas as juntas de freguesia para criarmos um intercâmbio cultural direto, tendo apenas o Dr. Rascão Marques (Presidente da JF de São Julião) marcado presença, a quem agradeço profundamente o apoio à cultura viva da terra. Mas a literatura independente não vive de favores institucionais; vive da força das suas histórias e do eco que encontra nos leitores reais.

Este universo de fantasia e viagens no tempo fechar-se-á brevemente com um terceiro livro, que completará esta trilogia ligando todos os mistérios do relógio de areia. Até lá, o meu percurso continua a ramificar-se. Aproveitei a sessão para fazer uma antevisão exclusiva do meu próximo thriller, Oito Anos em Prolongamento, um livro totalmente realista focado nos meandros obscuros da corrupção, futebol e vingança em pleno Campeonato do Mundo.

A história não acabou, foi apenas reescrita.

Assiste ao vídeo completo da apresentação abaixo para descobrires todos os detalhes da investigação e o debate com o público:

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